Fundação da Umbanda
O Nascimento de uma Religião Brasileira
A Umbanda surgiu no Brasil no início do século XX, representando uma fusão única de diversas tradições religiosas e culturais. Sua fundação oficial é atribuída a Zélio Fernandino de Moraes, um jovem do estado do Rio de Janeiro.
A Umbanda combina elementos do Catolicismo, religiões africanas (principalmente o Candomblé), espiritismo kardecista, e crenças indígenas brasileiras. Esta mistura reflete a diversidade cultural do Brasil, criando uma religião genuinamente brasileira.
Os princípios fundamentais da Umbanda incluem a caridade, a igualdade e a aceitação de todas as formas de expressão espiritual. A religião valoriza a comunicação com espíritos ancestrais e entidades, buscando orientação e cura.
Desde sua fundação, a Umbanda tem crescido e se espalhado por todo o Brasil e no mundo, tornando-se uma parte importante do panorama religioso e cultural do país.
O início
A manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, ocorrida na Federação Espírita de Niterói em 15 de novembro de 1908, e a fundação, no dia seguinte, da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, na Rua Floriano Peixoto nº 30 (Neves, São Gonçalo – residência de Zélio de Moraes), constituem o marco fundador da Umbanda.
Esse evento é amplamente refletido na literatura dedicada à Umbanda, presente em livros, revistas, páginas da internet e trabalhos acadêmicos (artigos, dissertações e teses). Além disso, há reconhecimento oficial do poder público, evidenciado pelas homenagens de Câmaras Municipais e Assembléias Legislativas à figura de Zélio de Moraes e pela promulgação da Lei 12.644 de 17 de maio de 2012 pela Presidência da República, que institui o dia 15 de novembro como o Dia Nacional da Umbanda.
No dia 15 de novembro de 1908, em uma sessão da Federação Espírita do Rio de Janeiro, o jovem Zélio de Moraes (então com 17 anos) foi levado devido a um grave problema de saúde que os médicos não conseguiam curar, e ali manifestou-se pela primeira vez o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Durante a sessão, diversos espíritos de negros escravos e indígenas se manifestaram nos médiuns presentes, mas foram convidados a se retirar pelo dirigente José de Souza (Zeca), que os considerava atrasados espiritualmente, culturalmente e moralmente. O Caboclo das Sete Encruzilhadas, defendeu essas entidades, argumentando que estavam sendo discriminadas por diferenças de cor e classe social.
Os dirigentes tentaram afastar o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que então anunciou que, se não havia espaço para a manifestação dos espíritos de negros e índios, ele fundaria um novo culto na casa de Zélio, onde tais entidades poderiam exercer a missão da caridade. Perguntado sobre a adesão a esse culto, ele respondeu: “Botarei no cume de cada montanha que circula Neves, uma trombeta tocando, anunciando a presença de uma Tenda Espírita onde o Preto e o Caboclo possam trabalhar”.
No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, às 20 horas, uma pequena multidão de amigos, parentes, curiosos e kardecistas da sessão anterior reuniu-se na casa de Zélio, onde o Caboclo das Sete Encruzilhadas novamente se manifestou, declarando o início de um novo culto espírita no qual Pretos Velhos e Caboclos poderiam trabalhar.
Ele estabeleceu que a humildade e a prática da caridade seriam as características principais do culto, baseado no Evangelho Cristão e tendo Jesus como mestre maior. Determinou que os médiuns usariam uniformes brancos e que todos os atendimentos seriam gratuitos, fundando a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, destinada a acolher todos os necessitados, assim como Maria abraçou o Cristo.
Seguindo as diretrizes do Chefe, como é carinhosamente chamado o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e outras entidades que se apresentaram por intermédio de Zélio de Moraes, como Pai Antônio (Preto Velho) e Orixá Malet, o rito umbandista foi constituído, e mais de cem anos depois, ainda é praticado na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, agora localizada em Cachoeiras de Macacu, Estado do Rio de Janeiro.
FOTOGRAFIAS HISTÓRICAS